Jukung

Jukung, as canoas da Indonésia

 Vou de Canoa 

Por: Luiza Perin

 

Jukung é o nome desta canoa. Seu shape nos segreda sobre uma importante fase de transição da mente humana, quando o homem passou a olhar para o horizonte e almejar distâncias mais ousadas mar afora, além que seus olhos podiam enxergar. 

Arqueólogos, historiadores e demais pesquisadores afirmam que as primeiras embarcações da humanidade foram jangadas ou canoas simples de um tronco só, e é sabido que tais embarcações usadas por povos primitivos do mundo todo não permitiam um bom equilíbrio nas ondas do mar aberto, embora fossem muito usadas em rios e águas abrigadas. Para que fossem mais longe era  preciso um mecanismo que lhes permitisse maior estabilidade e, assim, a necessidade aguçou a criatividade para o desenvolvimento dos primeiros estabilizadores laterais. 

A canoa típica da Indonésia, chamada de jukung na língua local, possui duas amas e caracteriza um importante passo dos ancestrais da região para ganhar o oceano, permitindo com que pudessem pescar mais longe. Mas qual a relação destas com as canoas polinésias? Para entender isto, precisamos analisar primeiro as duas regiões de que estamos falando: Indonésia e Polinésia. Indonésia é um termo latim cunhado por europeus que significa, literalmente, “ilhas de dentro”, ao passo que o nome Polinésia, também do latim e também cunhado por europeus, significa “muitas ilhas”. Observe em um mapa mundi a proximidade das ilhas da Indonésia entre si e também do grande continente asiático e permita-se imaginar em uma navegação segura pelas “ilhas de dentro”, onde os estabilizadores duplos seriam extremamente eficientes e úteis. 

Mas o ser humano tem dentro de si uma misteriosa motivação que o leva a querer sempre ir além. Assim, milhares de anos se passaram e o horizonte continuava  descortinando novas possibilidades para o homem ir cada vez mais longe. A grande movimentação ultramarina de povos provenientes do Sudeste Asiático para o Leste, em direção ao Oceano Pacífico e ao Sol nascente, é conhecida na ciência como Expansão Austronésia, e os protagonistas dela são os povos austronésios, que podemos dizer que são os ancestrais do povo polinésio. 

Para encarar mares com mais ondas e distâncias mais ousadas ainda, a canoa precisaria de flexibilidade e fluidez, algo que a canoa com ama dupla não permitia. Assim, a adaptação para uma ama única era a solução  para que ondas maiores pudessem ser desbravadas. A Expansão Austronésia teve como principal ferramenta as canoas. Era o início das raizes da cultura que tanto fascina os remadores: a cultura polinésia. 

Mas como os austronésios se aventuraram no maior dos oceanos da Terra com rústicas canoas até se tornarem polinésios é um outro mistério e poderá ser tema do nosso próximo post aqui no Vou de Canoa. Quer saber mais? Então escreva pra gente no Insta @voudecanoa ou @vogahonline e dê sua opinião  para o tema do próximo texto!

 

 

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