O Batismo de Canoas

O Batismo de Canoas

 Vou de Canoa 

Por: Luiza Perin

 

No mundo todo, os barcos são o único meio de transporte que recebem nomes próprios. Não damos nomes aos carros, aos aviões ou aos ônibus, mas quando um barco entra na vida de alguém, parece algo instintivo querer dar-lhe um nome. Podemos ver nomes que dão identidade desde às menores canoas de pesca aos grandes navios cargueiros.

Dar nome a um barco é uma tradição antiga de povos do mar, e esta tradição é consagrada pelo ritual de batismo para incorporar ao barco sua alma, aquilo que os polinésios chamam de mana. A descrição de rituais de batismo na Polinésia varia de acordo com as diferentes regiões e arquipélagos e até mesmo de kahuna para kahuna, que eram os “sacerdotes” que conduziam os ritos. 

O nome havaiano para a cerimônia de batismo, por exemplo, é lolo ana i ka wa'a, uma expressão que pode ser traduzida, literalmente, como "dar cérebro (ou cabeça) a uma canoa". De modo geral, misturava-se em uma cuia um pouco de água doce, chamada na língua havaiana de wai, com água salgada, chamada de kai, simbolizando assim a junção das origens na floresta com o novo meio da canoa, o mar. Com cantos e preces, essa mistura era derramada sobre as principais partes da embarcação e, assim, uma nova canoa era instituída de mana. 

Mesmo existindo uma grande variedade de ritos e cerimônias dentro da cultura, existe um consenso único sobre elas: todas são essenciais para conferir proteção e sucesso para as novas canoas. A manutenção desta tradição vinculada ao esporte, hoje, simboliza respeito pela cultura e pela principal ferramenta que permitiu a ocupação de todas as ilhas da Polinésia: as canoas.

 

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